Reconstrução de Orelha

Reconstrução de Orelha (Trauma, Deformidades de Nascimento, Síndromes)

O que é a Reconstrução de Orelha?

A Reconstrução de Orelha faz parte da cirurgia plástica reparadora, buscando oferecer tratamento para aqueles pacientes que nascem com malformações ou ausência de orelha e para aqueles pacientes vítimas de algum trauma ou ferimento na região da cabeça e acabam perdendo toda ou parte da orelha.

A Reconstrução de Orelha abrange inúmeros procedimentos e técnicas que quase sempre envolvem 2 ou mais cirurgias programadas de acordo com cada caso.

Reconstruções apenas do terço inferior da orelha (do lóbulo) muitas vezes podem ser feitas com anestesia local na clínica.

Cirurgias de reconstrução total da orelha ou de seus dois terços superiores normalmente necessitam de 2 cirurgias com um espaço de 6 meses entre elas, com anestesia geral no hospital.

 

Quais os cuidados pré-operatórios?

A paciente terá todas as orientações por escrito sobre a cirurgia, devendo sempre estar atento ao seu estado geral e comunicar qualquer alteração, como uma gripe, dor de garganta, ardor ao urinar, etc. Nesse caso, a paciente será avaliada e a cirurgia poderá ser adiada para sua própria segurança. Deve-se vir acompanhado para a cirurgia, prestar atenção ao jejum e evitar o uso de brincos, anéis, piercings, esmaltes coloridos nas unhas, etc. A paciente será submetida a uma série de exames pré-operatórios (laboratoriais, Rx de tórax e eletrocardiograma) e por avaliações clínicas a depender de cada caso. O uso de algumas medicações como ácido acetil salicílico, ginko biloba, bufedil, vitamina E, anticoagulantes e fórmulas para emagrecer deverão ser suspensas pelo menos 15 dias antes da cirurgia. Qualquer medicação usada deve ser informada ao médico, pois várias delas podem causar efeitos colaterais que obrigam à suspensão da cirurgia. Da mesma forma o tabagismo é altamente indesejável. Serão feitas fotografias pré-operatórias e entre cada tempo cirúrgico para posterior comparação.

Qual o tipo de anestesia?

Desde que o paciente seja avaliado corretamente, os procedimentos anestésicos atuais oferecem baixíssimos riscos de problemas. De acordo com as possibilidades clínicas e o tipo de reconstrução, preferimos usar anestesia geral ou anestesia local com sedação.

A cirurgia

A seqüência de reconstrução em 2 tempos descrita resumidamente aqui se refere às reconstruções totais ou dos dois terços superiores de orelha e, portanto, não se aplicam a todos os pacientes pois cada um terá sua indicação precisa pelo cirurgião plástico. O intervalo entre as cirurgias deve ter um espaço médio de 4 a 6 meses entre si, para perfeita cicatrização e melhor resultado.

- 1º tempo: essa cirurgia tem o objetivo de se reconstruir o esqueleto de cartilagem (tecido do qual a orelha é feita) da parte da orelha perdida. Para isso, coleta-se uma pequena porção de cartilagem da costela, que será esculpido no formato de uma orelha. Depois coloca-se essa peça esculpida abaixo da pele na região onde se deseja a orelha. Esse é o tempo da reconstrução mais importante, pois a pele irá cicatrizar sobre o esqueleto esculpido, deixando transparecer os relevos de uma orelha normal, apesar do conjunto ainda estar grudado na cabeça.

- 2º tempo: nessa cirurgia, a orelha reconstruída é solta na parte posterior para que ela tenha uma projeção de uma orelha normal e até sirva de apoio para a haste de um óculos. Para isso é necessário fazer um enxerto de pele na parte de trás da orelha, que pode ser retirado do couro cabeludo (no caso de meninos) ou da região escondida da calcinha, com uma cicatriz “tipo cesárea” (no caso de meninas), ou de acordo com a preferência do paciente. Retoques no formato da orelha, quase sempre necessários, são realizados também nesse tempo.

São deixados fios de sutura na região da orelha que serão retirados no consultório e um pequeno dreno, retirado em 48 horas para se prevenir acúmulo de líquidos como seroma ou hematoma. A cicatriz do tórax (para retirada da cartilagem) é fechada com fios absorvíveis e não necessitam ser retirados.

Cicatrizes

Ao fim do 1º tempo da reconstrução, são deixadas uma cicatriz sobre a orelha reconstruída e outra cicatriz no tórax, na região onde foi coletada a cartilagem de costela. Na orelha são deixados fios de nylon que serão retirados e no tórax são usados apenas fios absorvíveis que não precisam ser retirados.

No 2º tempo, é deixada uma cicatriz na parte de trás da orelha com fios de nylon que serão retirados. Uma outra cicatriz é feita no local escolhido para se retirar o enxerto de pele, que será fechada com fios absorvíveis ou não, dependendo do local. No caso de cicatriz “tipo cesárea”, são usados fios absorvíveis. No caso do couro cabeludo, são usados fios de nylon e a cicatriz fica escondida pelo cabelo.

Dor

A dor pós-operatória da região da orelha reconstruída é muito pequena. O local que pode causar algum desconforto é a região do tórax, onde é retirada a cartilagem, no entanto, qualquer dor é muito bem controlada por analgésicos orais e antiinflamatórios, sendo raro o uso de analgésicos mais fortes.

Recuperação

- 1º tempo: as cicatrizes da orelha serão cobertas com algodão e faixa crepe por 48hs, quando também será retirado o dreno. A cicatriz do tórax será coberta por micropore durante ao menos um mês, com trocas semanais no consultório pelo cirurgião plástico, quando a cicatriz será examinada e o paciente avaliado. Os pontos da orelha serão retirados ao redor de 14 dias do pós-operatório. Recomenda-se repouso relativo na primeira semana, para que os tecidos cicatrizem sem complicações. Atenção deve ser dada à posição de dormir, pois o paciente não poderá apoiar-se sobre a orelha reconstruída. Recomenda-se roupas confortáveis e evitar exposição solar. Tomar sol pode marcar permanentemente a cicatriz recente (vermelha) e deverá ser evitado por completo no início, sendo liberado gradualmente e com proteção adequada de acordo com o clareamento (amadurecimento) da cicatriz. Após a cirurgia, a paciente deverá tomar o antibiótico indicado, em geral por 7 dias, além de um antiinflamatório por 5 dias e um analgésico quando sentir dores. O primeiro retorno será após 4 dias da cirurgia e, depois, semanalmente para troca de curativos e acompanhamento. Ao longo do 1º mês o paciente deve voltar a realizar as atividades cotidianas, como dirigir (ao redor dos 14 dias), caminhar, etc. Exercícios gerais poderão ser liberados após 30 dias.

- 2º tempo: cirurgia mais simples que o 1º tempo, mas necessita dos mesmos cuidados pós-operatórios. A região onde o enxerto foi retirado é fechada com fios absorvíveis e feito um curativo com micropore. Na região de trás da orelha, que recebeu o enxerto de pele é feito um curativo fixado que será retirado uma parte após 5 dias e outra parte após 7 dias. Quaisquer pontos de nylon serão retirados ao redor de 12 dias. Cuidados com esportes e atividades físicas devem ser seguidos como na cirurgia anterior.

Resultado Final

O bom resultado final de uma reconstrução de orelha depende de vários fatores. Uma cirurgia bem executada é muito importante, mas os cuidados pós-operatórios influenciam enormemente! Pacientes que nasceram com a malformação de orelha e têm a região ainda virgem de cirurgias, tem um melhor resultado do que os pacientes que perderam a orelha por trauma ou acidente, pois a pele apresenta uma pior qualidade e isso se reflete no resultado. Após 4 meses do 2º tempo, a orelha reconstruída chega ao seu resultado final e eventualmente retoques são necessários para correção de cicatrizes, pouca definição dos relevos ou irregularidades de contorno.